
A distância entre os números apresentados por Quaest, Veritá e IPPI e os resultados de outros levantamentos começou a alimentar questionamentos nos bastidores da disputa pelo Governo do Maranhão. Em comum, os três institutos não são maranhenses e têm indicado um desempenho mais favorável a Eduardo Braide, cuja principal fortaleza eleitoral está em São Luís.
Aliados de Orleans Brandão sustentam que parte da divergência pode estar no desenho das amostras. A suspeita é de que levantamentos nacionais não consigam captar adequadamente as particularidades de um estado com 217 municípios e regiões politicamente muito distintas. Uma concentração excessiva de entrevistas na capital, na Grande Ilha ou nos maiores centros urbanos poderia ampliar artificialmente o peso eleitoral de Braide.
O efeito inverso atingiria Orleans. Com maior capilaridade entre prefeitos, lideranças e eleitores do interior, o candidato governista dependeria de uma distribuição regional rigorosa para que sua força fosse registrada corretamente. Uma amostra com peso urbano acima da realidade eleitoral transformaria a popularidade do ex-prefeito de São Luís em uma suposta vantagem estadual.
A origem do instituto, isoladamente, não invalida uma pesquisa. Mas a discrepância acende o alerta e coloca a metodologia sob escrutínio: quais municípios foram visitados, quantas entrevistas ocorreram em cada região e qual peso foi atribuído ao interior? Sem essas respostas, o risco é apresentar um retrato ampliado de São Luís como se fosse a fotografia do Maranhão inteiro.
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